Cancelado pelo próprio surrealismo, Salvador Dalí ainda é o rosto do movimento

“Eu não sou hitleriano de fato, nem de intenção”, respondeu Salvador Dalí quando questionado sobre seu fascínio pelo Führer. Aliás, o rosto do surrealismo passou apenas dez anos pelo movimento. Foi expulso por seu fundador, o poeta francês André Breton. A obsessão pela figura de Adolf Hitler, o flerte com a ditadura do fascista Francisco Franco e o apego ao dinheiro, que rendeu o apelido de Avida Dollars, forçaram sua saída.

Ele se posicionava como um artista apolítico. Isso quer dizer que, fosse brasileiro, em 2018, possivelmente teria cravado o 17. Quando a Guerra Civil espanhola teve início, Dalí vazou para os Estados Unidos. Isso quer dizer que, fosse brasileiro, em 2019, mudaria para Portugal e faria aloka. Um dos seus biógrafos diz que não há como saber se o artista foi um franquista convicto. Significa? Significa. Fosse brasileiro, em 2022, possivelmente despistaria com um “nem Lula nem Bolsonaro” e cravaria o 17. O espanhol, para quem não sabe, era bem canceladinho na época. O que não significou muita coisa. Vendia e bem. E fazia uso disso como marketing. E o cara era bom. Se repetia muito – SEGUNDO CRÍTICOS – mas aquela primeira fase lá, quando ainda era do movimento, é genial. Tive a chance de conferir alguns de seus trabalhos no Museu Rainha Sophia e é de fato impressionante. Outras coisas boas aqui sobre o ícone.

O tal debate sobre o cancelamento é importante, mas não tem nada de novo. Ganhou um alcance maior por conta do próprio meio onde vivemos: o digital. Reprodução infinita, custo zero, mas… um tempo menor de vida. Para alguns, ouso dizer, virou um meio de vida. Mas não tenho provas, apenas convicções baseadas em observação direta intensiva de comportamentos que se repetem. Comentários ofensivos, criminosos ou puramente sem noção, por exemplo, viram controvérsias, polêmicas, colocam o “cancelado” sob holofotes. Ele apanha, mas também lucra. Se for frio, calculista, consegue usar a internet direitinho. Se não for, aí é seguir em frente. As pessoas reconhecem vulnerabilidades quando são de verdade.

salvador dali

Mas voltando a Salvador Dali

Em 1944, George Orwell confrontou o caso do artista ao revisar a autobiografia do espanhol e escreveu um ensaio sobre a isenção de moralidade em pessoas talentosas. Está aqui – Benefit of Clergy.

Já li muitas vezes esse ensaio e compartilhei, também, com cancelados sem talento, mas super-convictos de que “o inferno são os outros”. Mas há quem desdenhe de George Orwell e ache que este é apenas um “texto de jornal”. Eu não ousaria…então recomendo aqui a leitura.

Preciso acelerar esse texto aqui, então vou terminar meio bruscamente com um recurso bem uó: a famosa “moral da história”. Perdoa.

Mas porque eu, você que está lendo, e milhões de pessoas no mundo, ainda falam, escrevem, compram e admiram as obras de Orwell e Salvador Dalí? Provavelmente revolucionários. E agora eternos.  Sobreviveriam aos anos 2020? Fácil.

Quem não sobreviveria era o Bentinho. Primeiro vácuo da Capitu e ele espalharia prints falsos da nossa cigana enviando nudes para Escobar. Ainda mais depois dessa notícia do advogado que apareceu com provas etc. Prefiro terminar o texto assim. Tava muito didática, não gosto. 

Agora Fim.

Beijo,

Cacau.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑