Definhamento, cabelos e BBB

22 de abril. O El País Brasil diz que Bolsonaro entra pela porta dos fundos na Cúpula do Clima enquanto sociedade civil cava espaço para diálogo com Biden.

No New York Times, um texto assinado por Adam Grant, psicólogo, chama minha atenção: “Há um nome para seu mal-estar na pandemia: chama-se ‘definhamento’”. Segundo ele, mesmo com as vacinas à vista, seus colegas não estavam entusiasmados com 2021. “É um sentimento de estagnação e vazio”.

No Uol, destaque para a Libertadores. “Palmeiras sofre, mas vence com gol no último lance na estreia”.

A festa no Big Brother Brasil está animada. Juliette e Fiuk claramente querem se pegar. “Tá gatinha”, elogia o rapaz. “Deixa de Inferno. Deixa de me aperrear”, brinca Juliette. Ela quer. Ele também.

Nesse momento, meu único plano é sonhar com a vacina e pagar meus boletos. Mas volto ao presente.

Semanas atrás, decidi abraçar meus cabelos naturais. Os fios brancos também. A última vez que fui a um salão de beleza para pintar meu cabelo foi em fevereiro de 2020. Não sabíamos o que estava por vir. O carnaval foi bom. Estava ruiva, cabelo curto, comemorando a volta do Vai-Vai ao grupo principal. Uma aglomeração daquelas. Com chuva, celular perdido, celular encontrado, beijo na boca, bateria comendo, chinelo, blusa do Olodum. A empresa onde trabalho fechou dias depois. Fomos todos para o home-office.

O cabelo cresceu. O ruivo misturado ao castanho e aos fios brancos. Até que, em janeiro de 2021, comprei uma tinta loiro médio e fiz o serviço em casa. Não queria me preocupar com cabelo enquanto tanta gente morria. Era uma coisa boba. E percebi que outras mulheres estavam fazendo o mesmo. Assumindo os cabelos brancos. Assumindo os cabelos naturais. E assim me senti assumindo o controle de alguma coisa nessa vida tão incerta. O melhor de tudo é que eu gostei do resultado. E me sinto mais confortável com o envelhecimento. Com quem sou. Me sinto uma privilegiada. Meu cabelo cresceu. Eu também.

Nesse momento, Juliette e Fiuk continuam “brincando”. Os colegas gritam “tesão acumulado”. Ele diz que é brincadeira, ela grita: “ele está me atentando, Camilla”. Ambos dão risadas. Não se desgrudam. Termino como começo o texto. E avisando que voltei. Agora chega.

Até a próxima.

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